Microcosmos

Microcosmos segundo

 

À todos os mortos de minha vida

 

Prometo beber mais da fonte dos dias, estender mais a mão, sentir mais a cumplicidade da caminhada; olhar para as pessoas cada vez mais buscando aquilo que de verdadeiramente humano nelas habita, valorizar cada vez menos a mesquinhez sórdida que nos faz pequenos em meio ao turbilhão da vida que nos assedia com sua grandeza de possibilidades infinitas.

 

Prometo olhar para a possibilidade dos dias vindouros com a curiosidade dos olhares infantis, que brilham a cada descoberta, por mais singela que seja, e que enxergam em cada coisa aquilo de essencial que nela possa conter; que exista como simbologia do próprio universo, assombrosamente indecifrável e tão dentro de cada um de nós.

 

Prometo que meu olhar terá cada vez menos o amargor dos dias e noites passados na companhia da angústia, ou imersos no lodo da melancolia, mas buscará brilhar com a luz da esperança, ter o gosto de uma manhã de primavera, aproximar como um abraço. Ele compartilhará como nunca os minutos que se esvaem de nossas vidas como areia das mãos, para nunca mais voltar. E nessa caminhada, ele será o farol a iluminar as noites escuras, e a sua linguagem terá que ser cada vez mais solidária.

 

Dos verbos conjugados no plural quero intimidade, porque a vida me ensinou que nada equivale à cumplicidade de um olhar carinhoso, companheiro, ou até mesmo repreensivo, raivoso, ou seja, humano. É na complexidade dessa teia de relações que nos fazemos cada vez mais… humanos.

 

Prometo que quero estar junto, sempre junto com todos que compartilham dessa caminhada. Nem que seja para brigar, mas acima de tudo, para amar. Nenhum verbo carrega em sua essência, em todas as suas conjugações, a expressão mais completa da única coisa que talvez valha realmente a pena neste mundo: amar. Ou seja, estender a mão, não ser vil e mesquinho sempre que tiver a possibilidade de sê-lo, crescer na adversidade, olhar para o outro como um enigma a ser decifrado pra que possa se realizar plenamente.

 

Sei que os dias passados não mais retornarão. Mas também sei que voltar a viver é olhar pela janela do passado e enxergar pessoas com as quais tivemos o prazer de estar juntos em alguns momentos dessa caminhada, e que nos ensinaram coisas, nos fizeram mais humanos.

 

À elas, a todas elas, que escolheram a dignidade como princípio, que passaram pela vida como quem caminha por uma tardezinha de verão, sentindo fundo a brisa no rosto, eu prometo, humildemente, carregá-las no coração, continuar seus passos, tecer mais alguns metros desse emaranhado fantástico e extraordinário chamado Vida.

 

 

À memória de Mauber Lima, Visitação Gulart, Octacílio Gulart, Rosalino Lima, Terezinha Maia, Emilce Quevedo, Dona Miranda, Henrique Ataídes de Oliveira, Zuleika Fagundes Bisso, Abelardo Lado, Kiko, Roberto Martinez, Mano, Colberto Lado, Tia Mimosa e todos os outros com quem tive o prazer de partilhar alguns momentos desta vida, e que partiram apenas por alguns instantes, para voltar a renascer dentro de cada um de nós.    

 

Sobre Glauber Gularte Lima

Vereador, professor, candidato a prefeito do município de Santana do Livramento / RS / Brasil.
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