América Latina

Sobre reis e outros parasitas

Recebi o texto abaixo do Heitor Lermen, companheiro que tive o prazer de conhecer e com quem tive a honra de trabalhar nos tempos do governo Olívio, quando ele foi Diretor-presidente da Fundação Gaúcha do Trabalho.  

Por sua vez, Heitor disse que recebeu de uma amiga. É sobre aquela afirmação arrogante do tal do rei mandando Chávez se calar. Um episódio que foi distorcido pela mídia monopolista, e apresentado de forma descontextualizada. Chávez foi interrompido no momento que deitava o sarrafo no ex-premier espanhol, o senhor Aznar, qualificando-o corretamente de fascista, pelo seu envolvimento criminoso no golpe que destituiu temporariamente Chávez do governo da Venezuela em 2002. Algo que à época contou com silêncio cúmplice dessa mídia que, quando convém aos seus interesses, se arvora baluarte da democracia e da liberdade.   

O impressionante disso tudo foi o delírio de regozijo que vivenciou a elite latino americana através da sua mídia privada. Aqui mesmo em Livramento, ouvi vários comentários de alguns imbecis que tocam de ouvido, se deleitando com a atitude “corajosa” do rei. O que foi um ato de soberba e desrespeito eles conseguem transformar em virtude.

Mas isso tudo ainda é secundário frente ao que deveria ser o real motivo de assombro e indignação, que é a permanência, na Europa “civilizada”, desse regime político chamado monarquia. É inacreditável que o povo espanhol e de outros países aceitem manter aquela corte de parasitas em nome de uma tradição. Ao invés de estarem relegados às páginas dos livros de história e às prateleiras dos museus, mantém os seus privilégios reais, sem nenhum questionamento da mídia “democrática”. Mesmo que formalmente os reis, rainhas e princesas sejam hoje meras figuras decorativas, sabemos que de fato possuem um enorme poder político. Poderia existir algo mais autoritário e asqueroso que um poder exercido na forma da hereditariedade?

Não dá pra agüentar. Vamos ao texto que o Heitor me enviou.

Glauber, recebi de uma amiga o texto abaixo. Veja, meu caro professor, como as palavras quando bem colocadas dizem absolutamente tudo.

                 Abraços

                            Heitor Lermen

Em resposta ao rei de Espanha

Por qué no te calas?
Raul Longo

Por que no te calas, Dom?
Nem te envergonhas das civilizações
que exterminaste?
Incas, Maias e Astecas…
Sabedorias acima da alguma
que mal soubeste herdar dos 8 séculos
de pacientes mestres árabes.

Nada aprendes!

Por que não te calas, Senhor?
Nem te arrependes dos tantos de mim
que espoliaste da Patagônia à Califórnia?

Pirata, mercenário, usurpador:
acaso não te acordas
das tantas que estupraste?
Da gente que seviciaste?

Pelos povos que usurpaste
em América,
Ásia, África,
por que não te calas?

A quem te arrogas,
se sequer és dotado da galantaria
que a Quixote serviu?

Que ficção é essa
que crias para ti,
reizete de merda?

De Guernica
és o lado que o Mestre
sequer retratou,
pois se nunca estiveste
no desespero de tua
própria gente,
por quem te crês?

Cala-te e
devolve minha prata,
reponha meu ouro
bucaneiro arrogante!

Cala-te e
reconheça tua insignificância
que de majestosa só tem
a expressão da falência
de uma instituição anacrônica,
tardia em minha história.

A quantos ainda crês
como teus súditos?
Aqui nada és além de mero decorativo,
ridícula memória da vergonha
de um império há muito falido.

Por que não te calas, hombre?

Sobre Glauber Gularte Lima

Vereador, professor, candidato a prefeito do município de Santana do Livramento / RS / Brasil.
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