Poesia – Neruda

 
 
 

Quem morre?

 

Morre lentamente

Quem não viaja,

Quem não lê,           

Quem não houve música,

Quem não encontra graça em si mesmo.

 

Morre lentamente

Quem destrói seu amor próprio,

Quem não se deixa ajudar.

 

Morre lentamente

Quem se transforma em escravo do hábito,

Repetindo todos os dias os

Mesmos trajetos.

 

Quem não muda de marca,

Não se arrisca a vestir uma nova cor

Ou não conversa com quem não conhece.

 

Morre lentamente quem evita uma

paixão e seu redemoinho de emoções,

justamente as que resgatam o brilho dos olhos

e os corações aos tropeços.

 

Morre lentamente quem não vira

a mesa quando está infeliz com

seu trabalho ou amor.          

Quem não se arrisca o certo pelo incerto

para ir atrás de um sonho.

 

Quem não se permite, pelo menos

Uma vez na vida,

fugir dos conselhos sensatos…

Viva hoje! Arrisque hoje! Faça hoje!

Não se deixe morrer lentamente!

 

 

                                  PABLO NERUDA

 

Sobre Glauber Gularte Lima

Vereador, professor, candidato a prefeito do município de Santana do Livramento / RS / Brasil.
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