Mídia e Poder

 

A miséria do jornalismo brasileiro

 

 

Assisti ontem à noite, estupefato, ao bombardeio reacionário a que foi submetido o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, no programa Roda Viva, da TV Cultura, que é vinculado atualmente ao governo tucano de José Serra.

 

Esse programa gradativamente vem sendo constituído por uma bancada cada vez mais conservadora, representando sempre os mesmos veículos da chamada grande mídia: O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, O Globo, Revista Época, enfim, os baluartes do liberalismo e da subordinação nacional ao grande capital.

 

Em épocas passadas já foi um grande programa, muito mais plural do ponto de vista das concepções ideológicas de seus entrevistadores. Hoje, lamentavelmente, é o picadeiro da ladainha neoliberal, expressada de forma preconceituosa e arrogante em relação a qualquer coisa que soe a posições nacionalistas de esquerda, mesmo moderadas, como as expressadas pelo chanceler Celso Amorim.

 

Durante uma hora e meia de programa, várias tentativas foram feitas no sentido de debater o conjunto da política externa brasileira, que tanto do ponto de vista econômico como político, colocou o Brasil numa posição de respeitabilidade e liderança mundial.

 

Vãs tentativas. A cachorrada, liderada pelo Demétrio Magnoli, um geógrafo ultra-conservador, pró Bush, que se colocou frontalmente contra as cotas étnicas nas universidades públicas, rosnava sem parar. A nova situação do país diante dos fóruns internacionais, as novas relações comerciais com a União Européia, com os continentes africano e asiático foram absolutamente secundarizadas, como se importância não tivessem. A pauta única era a demonização de uma das maiores lideranças populares da América Latina: Hugo Chávez.

 

É sintomático o ódio que alimentam de Chavéz, um presidente democraticamente eleito e reeleito, que cometeu o delito de governar para os pobres, ao mesmo tempo que não fazem uma única crítica ao presidente da Colômbia Álvaro Uribe, gerente do imperialismo norte-americano a serviço das classes dominantes, e assassino de lideranças sindicais e populares, em nome de combater o narcotráfico. Ao contrário, para essas figuras, Uribe é o ícone da simbologia democrática da América Latina. Alías, foi o único neoliberal que restou, após o desastre econômico e social do neoliberalismo em todo o cone-sul. Agarram-se a ele como a última referência de um projeto submisso de nação, atrelado aos Estados Unidos na forma de um neocolonialismo que se concretizaria na Alca, que tanto defenderam.  

 

Atacam as Farc e as vinculam a Chávez, mas fazem vistas grossas à invasão do território equatoriano pelo exército colombiano e ao envolvimento de Uribe com o narcotráfico. Insistem que Chávez é autoritário, mas foi o único presidente no mundo que se submeteu a um plebiscito revogatório de seu mandato. Dizem defender as liberdades democráticas, mas aplaudiram o golpe que temporariamente destituiu Chávez da presidência da Venezuela.

 

Essa é a grande mídia brasileira. Uma casamata que abriga o que há de mais cretino e hipócrita em nossa sociedade. É preciso criar as condições sociais para produzir uma democratização radical dos meios de comunicação no Brasil. A falsificação dos fatos, as versões oficiosas, a mentira descarada em nome de caras palavras como democracia e liberdade, tem que ter fim.  

 

Viva a resistência latino-americana!

Sobre Glauber Gularte Lima

Vereador, professor, candidato a prefeito do município de Santana do Livramento / RS / Brasil.
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